|

Fernando Calmon
fernando@calmon.jor.br
SILÊNCIO FATAL
Uma das preocupações, quando veículos elétricos passarem a circular em maior escala,
reside na sua característica de nível de ruído quase imperceptível.
Estudos da Universidade da Califórnia, EUA mostraram que o ouvido humano só percebe a aproximação deles em um raio de três metros.
Assim, surgem situações ao entrar ou sair de uma vaga, arrancar em um sinal ou mesmo em tráfego comum em que as pessoas não se dão conta da presença de um veículo motorizado.
Os mais velhos, crianças, ciclistas e deficientes visuais estão sujeitos a riscos de acidentes, mas na realidade se trata de um problema a que todos se expõem.
Autoridades dos EUA, Europa e Japão já consideram a obrigatoriedade de exigir um mínimo de ruído para a futura geração de modelos limpos,
visando evitar uma nova fonte de perigo a usuários de ruas e estradas. Dá para imaginar, por exemplo, numa grande garagem,
a dificuldade de ouvir um carro elétrico circulando ou manobrando.
Daí a necessidade de se procurar uma identidade acústica específica. Foi a preocupação da alemã Ruf,
especializada em melhorar ainda mais o desempenho dos Porsches, mas que no recente Salão de Genebra, em março,
apresentou a versão final do Greenster, totalmente elétrico. Trata-se de um 911,
na pioneira versão semiconversível Targa (um largo arco central anticapotagem, hoje não mais em produção),
cujo famoso boxer de seis cilindros na traseira foi substituído por um motor elétrico trifásico de 370 cv e nada menos de 97 kgf•m de torque.
O carro alcança 250 km/h e acelera de 0 a 100 km/h em torno de 5 segundos, mais “lento” que um 911 tradicional,
porém suficiente para superar a maioria dos carros.
A Ruf convocou um dos maiores especialistas em áudio do mundo, a americana Harman (acaba de adquirir a brasileira Selenium),
para desenvolver o som sintético de ruídos mecânicos. Surgiu a tecnologia batizada de Halosonic,
centrada na segurança de trânsito. O ruído do motor a combustão é virtualmente transmitido para o ambiente externo por meio de dois alto-falantes de grande
eficiência localizados atrás dos para-choques dianteiro e traseiro.
O posicionamento dos alto-falantes requer cuidado: há exposição contínua a variações climáticas,
água e poeira. Os transdutores de som são focados na direção em que se desloca o veículo.
A intenção é manter o nível de ruído agradavelmente baixo para os outros usuários da via de circulação,
mantendo a vantagem do silêncio dos motores elétricos.
O alto-falante traseiro traz segurança às manobras de ré.
Logo que o motorista liga o motor o Halosonic começa a funcionar, emulando o que seria a marcha lenta de um motor convencional.
Buscando autenticidade, a geração de sons varia com a velocidade do automóvel.
Permite, então, perceber intuitivamente a direção de onde vem o veículo e também estimar a velocidade de aproximação.

RODA VIVA
FIM dos tanquinhos para partida a frio com gasolina, nos motores flex, deve começar em grande escala em 2011.
Uma das melhores soluções acaba de ser patenteada pela FPT, empresa de motores da Fiat: aquecimento do ar de admissão permite condições ideais,
em dias frios, diminuindo a necessidade de energia para esquentar o etanol. Emissões e dirigibilidade melhoram.
LEI Seca – na realidade redução drástica de bebidas alcoólicas antes de dirigir – completa dois anos e menos mortos em acidentes.
Média, no País, caiu 6% em 2009 sobre 2008. Persistem, no entanto, brechas quanto às provas jurídicas do crime.
Fiscalização também não parece tão frequente em relação aos primeiros meses de vigência.
POSSIBILIDADE rde acordo entre Brasil (inclui Mercosul) e União Europeia para diminuir o pesado imposto de importação de 35% sobre
carros nunca esteve tão perto. Mas, não há prazo para a negociação terminar. Um dos obstáculos, a França insiste na proteção do seu mercado agrícola.
A abertura seria gradual e com cotas anuais por fabricante.
PICAPES e furgões continuarão com IPI reduzido até 31 de dezembro. Alíquota de 4% subiria para 8% e 10%, no dia 1º de julho.
Governo avaliou que esse mercado ainda precisa de sustentação, juntamente com caminhões. Picapes leves – Courier, Montana,
Saveiro e Strada – serão beneficiadas e as médias também – Amarok, Frontier, Hilux, L200/Triton, Ranger e S10
CARROS brancos já se veem com um pouco mais de frequência. Nada que indique uma guinada na preferência do consumidor brasileiro.
Talvez a esperança de se transformar em leve tendência. Trata-se da opção mais segura em visibilidade e segurança – fora as cores vivas de baixa aceitação.
Em países tropicais o branco transmite menos calor ao habitáculo.
|